O impasse que envolve a Empresa Brasileira de Hemoderivados, Hemobrás, pode prejudicar pacientes com a Síndrome de Guillain-Barré. A doença causa paralisia dos músculos e passou a ser diagnosticada em áreas atingidas por chikungunya e zika, transmitidas pelo Aedes aegypti. Foi isso que alertou o presidente da estatal, Oswaldo Castilho, em reunião da Frente Parlamentar em Defesa da Hemobrás, nessa quarta.
A droga que trata a Síndrome, chamada imunoglobulina, vinha sendo importada da França e distribuída no SUS. Mas a aquisição foi suspensa porque as instalações do laboratório estrangeiro deixaram de atender às exigências técnicas. Nenhum laboratório no Brasil domina o método de fabricação do medicamento, e a licitação internacional para contratar um novo fornecedor ainda não foi iniciada. Enquanto isso, a droga tem sido comprada a valores muito altos, segundo Oswaldo Castilho. “A última compra do Ministério foi um grama a 43 dólares. É extremamente estratégico para o País, porque se houver uma epidemia em algum lugar toda a produção vai ser feita para o uso dessa epidemia e nós vamos faltar o medicamento aqui.”
O processo de transferência de tecnologia para que a Hemobrás produza a imunoglobulina depende da conclusão de parte da planta industrial da Hemobrás, em Goiana, na Mata Norte. Como os recursos para a obra não foram liberados pelo Ministério da Saúde, o problema segue sem solução. Coordenadora da frente parlamentar, a deputada Priscila Krause, do Democratas, disse que a Assembleia deve acompanhar a questão. “É esse nosso objetivo, dar a contribuição da Alepe para que se resolva um problema concreto que a gente está vivendo hoje, além dessa questão se a Hemobrás fica ou não em Pernambuco, mas que as coisas aconteçam a contento de atender o interesse público.”
Também estiveram presentes a presidente da Fundação de Hematologia e Hemoterapia de Pernambuco (Hemope), Yêda Albuquerque, e os deputados Ricardo Costa, do PMDB, relator do colegiado, e Ossesio Silva, do PRB.
COMO CHEGAR